12 setembro, 2009

O pós do manifesto pós-antropofágico

Mas que coisa! Mal chegou a idéia de que existiu passado pra os que vão de retrô começarem a tomar forma utilizando-se dos brechós das esquinas. E aí já com as "roupas e acessórios-teletransportes" vivem surpreendentemente duas, três ou quatro décadas atrás. E salve as cores! Salve a ousadia! Salve o design arrojado das formas! Salve o exótico dos europeus! Salve a liberdade estética dos artistas! É tudo muito bonito de se ver. Já os mais puristas abusam menos dos visuais e predem-se a ser grandes leitores de prefácio. Tratam-se de grandes amantes das literaturas que se perdem em seus bolsos, verdadeiros buracos negros. Mestres na arte de colecionar! Parafraseiam trechos como ninguém. São capazes até de comer um livro inteiro pra depois poder vomitá-lo. Uma verdadeira bulimia literária. E assim pegam carona e criam quase que doutrinas com os demais autores, compositores e até intérpretes! Um grande endeuzamento àqueles que os tornam um tanto interessantes. Personalidades estão virando personagens! Personagens re-criados pelas mentes ocas viciadas em resumos. Algo semelhante ocorre com os grandes idealistas políticos dos recentes movimentos estudantis, ou nem isso. Chique é ser politizado. Grandes revolucionários de sofá entopem-se de ideologias. Um viva ao comunismo moderno! Quanto custa ser um comunista nos dias de hoje? Cartões estourados dificultam nas aquisições bibliográficas! Marx pra cá! Marcuse pra lá! Lenin! Se reviram no túmulo. Nos dias de hoje vê-se a formação de uma sociedade singela. Uma juventude demaseada lírica e acomodada. A classe dos jovens, hoje, se resume em apreciadores. Ou meio-apreciadores. A exagerada globalização está nos acostumando com as embalagens cada vez mais práticas dos supermercados. Estamos ficando cada vez mais limitados! A juventude está querendo tornar-se cópias baratas de gerações pensantes. Bem vindos à era da reprodução! Os novos estão precisando é lembrar do futuro! Vamos deixar de conversa furada e lutar contra essa robotização do cérebro. Chega da cultura da imbecilidade. Chega de auto-promoções. Precisamos de mais cineastas e menos cineclubistas de apartamento, precisamos de mais criatividade, precisamos de novas batidas, precisamos de mais surpreendimentos e menos clichês. Precisamos nos expandir, precisamos ir atrás do novo porque o que se copia, novo foi um dia. Precisamos ir atrás do novo de novo.

6 comentários:

Junior disse...

Manifesto Antrop....

Anônimo disse...

manifesto (pós-)antrop...

Iramaya R. disse...

tirou as palavras da minha boca, querido a.

Daros disse...

Carai!??!

Lella Cristina. disse...

Concordo plenamente, essa nossa ´"pós-modernidade" é sem criatividade até no nome...

Anar disse...

continuo girando em cada grito contido em cada palavra... a poética dolorosa da crua realidade! Maravilha...