Meu olho começou a desembaçar, gradativamente, como se curasse de uma miopia. Como se o céu explodisse de chuva por causa de tanta núvem. E só assim as coisas começaram a existir de verdade novamente. Elas tomaram forma, textura, peso, cheiro e sabor. E acima de tudo, motivos pra serem o que são. Ia-se embora o tempo em que as coisas eram inatingíveis, frágeis, feias. Onde os lugares eram escuros e vazios. Onde só os próximos dois minutos importavam e o resto do mundo que se danasse. - A rebeldia banalizou-se, tornou-se sem graça. Me lembrei de onde vinha minha alegria, que por sua vez era constante. - Senti saudades disso. Percebi que ainda tinha que viver um bocado, amadurecer outros tantos. E agora o mundo acorda nítido, pacato, e, ofegante o vento respira de tanta tranquilidade. Com o céu limpo da chuva que passou, choveu, choveu, choveu e soluçou. Engraçado, naquele dia ele me beijou o olho.
2 comentários:
:)
muito bom.
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