07 fevereiro, 2009

Hoje eu queria ter força pra soprar o mar. Enquanto isso fico à soprar copos plásticos, adquirindo uma imunidade um tanto quanto inútil para minhas debilidades alcoólicas. Me sinto tão cheia de qualquer coisa que às vezes me surge uma tremenda vontade de esvaziar. Ao longo do tempo fui me dando conta que as demais pessoas só nos cabem até nosso próprio ponto de visão. Depois da linha: mistério. O grande erro está em sermos escravos do nosso globo ocular para que possamos controlar nossos sentimentos. Enquanto estes aceleram tanto ou saem em desesperado desequilíbrio que a velocidade corporal nos impede qualquer ação contigua. Fraqueza nossa não doarmos um pouco mais de energia ao esforço. Fraqueza nossa, na verdade, é acreditar em tudo isso e continuar. Semelhante a sensação de achar-se pisando em milhares de micro-organismos vivos e permanecer olhando para frente enquanto trilhamos nossso caminho. E virse-versa. Isso me lembrou o quanto eu acho as pessoas análogas às edificações. Grandes e pequenas edificações. Materiais fracos, grandes proporções, belas cascas. Chega um dia que desaba. E quando conhecemos as pessoas ganhamos diversas oportunidades de conhecer todos os nós-mesmos que existem aí pelo mundo, andando, girando, voando, sendo e não sendo. Desabando. E permanecendo em pé, até a última cinsa, até o último pó. Embaralhando... Sou geminiana, hedonista, dependo de contatos físicos constantes e sou apaixonada por melodramas de quinta categoria. Hoje, vivo num imenso parque de diversões rodeado de casas, prédios, cidades, estados, países, territórios. Na verdade o que me alenta é saber que por trás de tudo isso tá cheio de estrelas cadenciosas que, na teoria, aparecem vez ou outra pra gente adimirar enquanto pensa nisso tudo.

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