12 julho, 2008

Bastava dizer que hoje o céu estava lá, hoje compreendo o que é viver entre sóis. Por mais que tentasse não conseguiria andar em linhas retas enquanto estivesse flutuando neste céu de solo irregular. Tenderia a desequilibrar por vezes em estradas contrapostas que terminariam em desvanecer-se entre elas mesmas, como procurar o átomo. Pele sobre pele. Tato. Ta-te-ar o invisível de sí proprio entre linhas tortas. Me conformei a acreditar nos instantes, e assim aceito os segundos como grandes edificações. Devo dizer, sempre precisei do sol para me certificar de horários. Enquanto você se perdia em escuridões. Trago comigo essa coleção onírica de ponteiros, sóis, e céu para servir-me de amuleto. E hoje sigo em movimentos uniformes. Precisei me esconder entre suas escuridões pra descobrir o que me faltava e o que me sobrava. Esse vai-e-vem de sóis me causou medo, enquanto você comia de minhas lamentações. E digeria aos poucos essa pontualidade, como resolver cálculos lógicos de matemática aplicada dia-após-dia. Estavamos postos enfim diante do desespero. Oh, céu. Tarde demais. Lembro que me perguntavas sobre como prosseguir diante dessa busca de esperas constantes e em mim as respostas se ofuscavam, e em mim anoiteciam. E anoiteciam. E anoiteciam. Mas amanhã, haveria outro sol. E o céu, estaria lá.

Um comentário:

Anônimo disse...

céu... fluxo de consciência... vertigem

um pára-quedas, por favor!